Entende-se por bullying a agressão, seja verbal ou física, praticada intencional e repetidamente por um indivíduo ou grupo contra alguém. Essa agressão gera angústia, sofrimento e dor, podendo levar a vítima a graves problemas psicológicos.

Existem alguns levantamentos estatísticos a respeito do tema, considerando-se sua relevância e sua atualidade. Em 2015, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez uma pesquisa identificando os motivos de agressão sofridas por crianças e jovens: 18,6% dos entrevistados disseram ter sofrido por conta do formato do corpo; 16,2% pela aparência facial e 6,8% por raça ou cor. Ainda foram citados orientação sexual (2,9%), religião (2,5%) e região de origem (1,7%) como motivadores da prática do bullying.

Outra pesquisa, dessa vez divulgada pela ONU em janeiro de 2017 mostrou que metade das crianças e jovens do mundo já sofreu bullying. No Brasil, os números chegam a 43%. A mesma pesquisa aponta que a prática é mais comum durante a vida escolar em países mais pobres.

Em abril do mesmo ano, um estudo, dessa vez do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA), informou que 18% dos alunos brasileiros são alvos diariamente de bullying.

Tendo em vista esses dados, instituições têm desenvolvido projetos na tentativa de minimizar as ocorrências da prática do bullying. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o Curso de Psicologia trabalha com o projeto “Debatendo o Fenômeno do Bullying no Ensino Médio”.

Entendendo a dinâmica do projeto

A professora Aline Cardoso Siqueira do curso de Psicologia é a responsável pelo referido projeto que objetiva mudar essa realidade em, pelo menos, algumas escolas de ensino médio santa-marienses. A equipe é formada por estudantes tanto da graduação quanto do mestrado (Anniara Lúcia Dornelles, Cândida Prates, Juliana Kuster e Murilo Domingues) e ainda, pela professora Jana Zappe, todos vinculados à Psicologia.

O projeto de debate do bullying no ensino médio baseia-se  nas ideias  e propostas do psicólogo e professor norueguês Dan Olweus, considerado o pioneiro e fundador da pesquisa sobre os efeitos do bullying.

A temática da violência é uma constante na vida acadêmica da professora Aline Siqueira. A docente já estudou violência doméstica, maus-tratos na infância e adolescência, fez mestrado e doutorado baseados no desenvolvimento humano das crianças e adolescentes que moram em instituições de acolhimento.

O projeto, além da parte teórica, em que se estuda o fenômeno e suas ocorrências, também desenvolve práticas com alunos do ensino médio. No primeiro ano do projeto, em 2017, a equipe promoveu quatro oficinas em duas turmas da Escola Estadual de Ensino Médio Cilon Rosa, no bairro Patronato. Siqueira relata que “o contato com os estudantes foi excelente, foram muito receptivos e criativos”, colocando ainda, que a relação com a comunidade é imprescindível.

A proposta é realizar mais oficinas em escolas neste ano de 2018. A ideia do projeto de extensão surge para “aproximar a equipe de pesquisa dos adolescentes e também auxiliar a escola quanto a essas questões de vitimização na adolescência”, como a docente conta. Do ponto de vista teórico, a pesquisadora diz que a extensão os nutri cientificamente de problemas da vida real.

É de conhecimento de grande parte da sociedade que a prática do bullying nas escolas é recorrente. Mas, então, por que é um problema não resolvido? A professora cita o número pequeno de ações para prevenir o bullying. Essas ações podem ser encaradas como uma Política antibullying. “Quando uma criança sente-se valorizada por ter sido reconhecida por um comportamento generoso, ela vai incluir em seu repertório de comportamento a concepção de que vale a pena ter esse comportamento. Assim por diante. Essas ações deveriam ser constantes, frequentes e continuadas, configurando uma Política antibullying, e não somente ações isoladas“. Mas alerta: para funcionar, precisa do apoio de toda comunidade escolar (professores, funcionários, pais e alunos).

Dos resultados iniciais

            Aline avaliou bem as pesquisas da extensão, na escola. Os alunos em questão produziram cartazes e letras de rap que ilustravam os danos causados pelo bullying. A partir desse trabalho, procuraram conscientizar os outros estudantes sobre as agressões.

            Além disso, foi feito um questionário com os alunos sobre a vivência do bullying. A docente relata que as práticas mais recorrentes se davam de maneira indireta, como apelidos pejorativos, exclusão, boatos espalhados etc. Os estudantes levam aos pais um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para autorização da participação na pesquisa. Um dos pontos frágeis é o baixo índice de devolução desse Termo por parte dos jovens, dificultando a aplicação dos questionários.  

            O projeto permite, em linhas gerais, uma reflexão sobre o fenômeno do bullying no ensino médio, contribuindo para o estabelecimento de um ambiente escolar saudável, em que os estudantes se respeitem e convivam com as diferenças de maneira sadia. Os resultados práticos dependem de esforços permanentes e contínuos, com políticas antibullying instituídas. Todos ganham com essas medidas: a escola passa a ser um ambiente adequado, os estudantes desenvolvem-se positivamente, os professores e funcionários conseguem desempenhar suas atribuições com mais eficácia e a sociedade recebe cidadãos conscientes.

Projeto bullying2

 

Projeto bullying

 

Projeto bullying1

Texto: Juan Grings, acadêmico de Jornalismo do Núcleo de Comunicação Institucional (NCI/CCSH)

Fotos: Aline Cardoso Siqueira, Professora e pesquisadora pela área da Psicologia

 


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