Projeto para o futuro

Desde a fundação da Universidade Federal de Santa Maria, em 1960, o Reitor José Mariano da Rocha Filho almejava um espaço para que a comunidade pudesse usufruir de atividades esportivas, beneficiando a saúde e propiciando o lazer aos acadêmicos e à comunidade santa-mariense. Visando a concretizar esse intento, desenvolveu-se o projeto de um Centro Esportivo Universitário (CEU), sob a liderança do Coronel Milo Darci Aita, também professor e amigo do Reitor Mariano da Rocha, o qual tinha forte ligação com o esporte, por meio da sua formação militar.

Com a reforma do ensino superior, ocorrida em 1968, decidiu-se integrar ao CEU um curso de graduação. Para receber a Faculdade Superior de Educação Física, o projeto tomou um rumo diferente, adequando as instalações à rotina acadêmica.

A construção das instalações do CEF seguiram ao longo de 1969 e os primeiros anos da década de 70. Havia, claramente, uma urgência do Decano Cel. Milo Aita em dar início as atividades letivas do Curso de Educação Física no CEF. Por conta disso, o ritmo das obras foi acelerado e as primeiras aulas da turma pioneira do Curso ocorreram no Centro de Tecnologia (CT) da UFSM.

 

Somente os melhores

Rígidos testes de aptidão física selecionaram os primeiros alunos a ingressar no Curso Superior de Educação Física. O processo visava a escolher os candidatos com maior vigor atlético e talento esportivo. O Decano comentava que esses alunos seriam o “futuro do CEF”.

Formada a primeira turma de graduados em Educação Física, fez-se uma seleção para o corpo docente do Curso, na qual um dos pré-requisitos era ser egresso do Centro. Com isso, a integração passou a ser geracional. O fluxo de egressos como parte do corpo docente garantia um sentimento de familiaridade das personalidades que faziam parte da história acadêmica do Centro.

 

Expansão na UFSM e na comunidade

Com a adequação da UFSM à reforma universitária brasileira em 1971, houve a divisão da Universidade em Centros e adicionou-se a palavra “Desportos” ao Centro, renomeando-o de CEF – Centro de Educação Física – para CEFD, Centro de Educação Física e Desportos. O então CEFD se departamentalizou em Departamento de Educação Física e Departamento de Desporto Universitário. Neste momento foi criada a Associação Desportiva da Universidade Federal de Santa Maria – ADUFSM.

 

O esporte em primeiro lugar

A tentativa de projeção do Brasil como potência econômica e esportiva vigente nos anos 70 se manifestou no CEFD, de forma que grandes recursos financeiros foram alocados para a construção de suas dependências, pois o Governo Militar privilegiava o esporte de alto nível voltado para a competição. Neste contexto, o investimento na Educação era visto como um passo fundamental no desenvolvimento do país. Apesar de afetado externamente pela conjuntura política que se instaurou a partir do Golpe de 64, o CEFD se manteve internamente sem participação nas discussões que estavam vigentes no país, principalmente porque a ideia de que na Educação Física não havia espaço para a política estava presente no cotidiano acadêmico do Centro.

A partir desses grandes investimentos que o Governo Federal proporcionou ao CEFD, o Centro em um curto período de tempo se adequou a Lei/Decreto Nº 69.450-71 que previa a realização obrigatória de duas horas de atividades esportivas semanais por parte de todos os alunos do Ensino Superior Brasileiro. Com isso, a quantidade de alunos que frequentavam a estrutura do CEFD aumentou exponencialmente ao longo dos anos da década de 1970. O fato de que seguinte aquele momento a comunidade universitária como um todo frequentaria rotineiramente o CEFD e não apenas os aluns da Faculdade Superior de Educação Física era um argumento contundente para que o Reitor José Mariano da Rocha Filho e o Decano Coronel Milo Darci Aita tivessem sucesso nas solicitações de recursos financeiros para o Centro. A obrigatoriedade da prática de atividade esportiva pelos alunos do ensino superior brasileiro impulsionou o desenvolvimento do Centro.

Nas décadas de 50, 60 e 70, por conta da demanda por Cursos Superiores em Educação Física, instituições privadas ofereciam faculdades no campo, muitas vezes com condições precárias de infraestrutura, dificultando a formação de profissionais na área. A própria Faculdade Superior de Educação Física do CEF – mesmo sendo de financiamento público federal – passou impasses semelhantes em seus primeiros anos de funcionamento. Os professores do Centro que possuíam família por vezes se queixavam de baixa remuneração; o próprio decano Coronel Milo Aita não recebia valor monetário algum pela função que desempenhava. Entretanto, essas adversidades se mantiveram por um período relativamente curto, afinal, ao longo da década de 70, com o Milagre Econômico Brasileiro e a linha ideológica desenvolvimentista que os governantes assumiam a respeito da educação no país, diversos investimentos foram destinados ao CEF, proporcionando que na década de 80 o centro pudesse estar como um dos melhores do país, com cursos podendo ser equiparados aos da Universidade de São Paulo (USP) em qualidade de ensino.

A “Era de Ouro do CEFD”

A prática esportiva incentivada dentro do Centro também rendeu excelentes resultados em nível nacional, sendo o treinador da Seleção Brasileira – Luiz Celso Giacomini, na década de 80 – de Handebol e vários jogadores da mesma provindos da comunidade acadêmica do CEFD. Essa pode ser definida como a “Era de Ouro do CEFD”, tanto no âmbito interno quanto no âmbito externo.

 

Referência Nacional

Na década seguinte, o corpo docente qualificado e atuante garantiu ao Centro a abertura do programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano, nos níveis de Mestrado e Doutorado. Nasceu, também, uma importante revista científica, a Kinesis.

Apôs um período de extremas dificuldades para o ensino superior no país, em que a pós-graduação e a revista Kinesis tiveram suas atividades encerradas, o centro passou a ofertar cursos de nível lato sensu, destacando-se o de Especialização em Educação Física Escolar. A partir de 2006, iniciou-se o curso de Educação Física - Bacharelado e, em 2013 Dança – Licenciatura.

Atualmente, estão em funcionamento dois novos Programas de Pós-graduação, em nível de Mestrado: Educação Física e Gerontologia. Também a revista Kinesis foi retomada, agora em versão on-line.

 

Fonte: Memorial da Educação Física e dos Esportes (CEFD/UFSM)