O Rio Grande do Sul conta com um riquíssimo acervo paleontológico, quase desconhecido fora do meio acadêmico. Basta ver o casa da região de Santa Maria e sua merecida fama no mundo da Paleontologia, plenamente justificada pela presença de troncos petrificados, de grande répteis do Triássico e da Flora Dicroidium. Contudo, não há correspondência entre o valor do patrimônio fossilífero e as iniciativas do poder público e de setores empresariais com vistas à proteção e ao uso turístico não predatório destas áreas.
Os registros sobre madeiras fósseis no território sul-rio-grandense remontam a meados do século XIX, época em que o Estado começou a ser percorrido por eminetes naturalistas como Friedrich Sellow, Arsène Isabelle e Robert Avé-Lallemant. Já na segunda metade do século passado, a divulgação de achados fósseis motivava a realização de expedições científicas como as organizadas pela Universidade de Harvard e pelo Museu de Estocolmo. Em igual medida, os répteis triássicos encontrados na região foram alvo de estudos detalhados levados a efeito no início deste século por Friedrich von Huene da Universidade de Tübingen, Alemanha. De suas expedições resultou a obra clássica “Die Fossilen Reptilien des Südamerikanische Gondwanalandes”, publicada em partes entre 1935 e 1942, e posteriormente traduzida para o português por Carlos Burger Júnior.
Em termos locais, merecem idêntico destaque as importantes contribuições de Romeu Beltrão, publicadas no Boletim do Instituto de Ciências Naturais da Universidade Federal de Santa Maria, na década de 1960. No entanto, este conjunto de expedições e publicações não permite configurar um plano sistemático de estudos sobre questão de tamanha relevância, o que ocorrerá com a constituição do Curso de Pós-Graduação em Geociências na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se consolidam linhas de pesquisa destinadas à investigação de fósseis vegetais e animais. Deste modo, a retomada do tema pela revista Ciência & Ambiente revela ao menos duas intenções: contribuir para o resgate de uma antiga dívida da Universidade Federal de Santa Maria para com a sua região de influência e reconhecer o significado da Paleontologia para a compreensão das mudanças nas condições de vida na Terra ao longo das eras geológicas, considerando, inclusive, as possíveis influências destas transformações no desenvolvimento da civilização moderna.

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