É do senso comum que toda paisagem natural – seja ela uma floresta, um campo ou até mesmo um deserto – reflete a influência marcante dos fatores mesológicos que atuam sobre o conjunto de espécies, tornando o processo de desenvolvimento da vegetação essencialmente dinâmico, portanto, mutável ao longo do tempo.
Ao examinar a distribuição geográfica das plantas, a Fitogeografia se vale do conhecimento detalhado dessas variantes ambientais, estudadas por distintos ramos da ciência, incluindo as preciosas informações do passado regional, investigado, sobretudo, pela Paleontologia, Paleoflorística e Geomorfologia.
Se por um lado a vegetação reflete as condições ecológicas vigentes sobre o estoque de espécies, ela também sofre a influência das ações antrópicas, sejam elas diretas ou indiretas. Sobre este ponto, aliás, cabe lembrar as palavras do naturalista alemão Alexander von Humboldt, fundador da Biogeografia: “O conhecimento do caráter da Natureza das diversas regiões está relacionado com a história da humanidade, e intimamente ligado à sua civilização”. Enunciada nos albores do século XIX, esta advertência resume uma verdade que só cresce em importância com o passar do tempo, devido ao modo de ocupação humana do espaço e ao incessante progresso tecnológico, por vezes utilizado de forma imprudente na gestão dos fundos naturais em escala planetária.
Sendo assim, os fitogeógrafos contemporâneos, em seu trabalho de análise dos agrupamentos vegetais e de proposição de novos modelos para a sua classificação, deparam-se com uma severa contradição: cenários naturais bastante desfigurados e, em certos casos, dramaticamente reduzidos, o que dificulta ou mesmo impede a compreensão dos fenômenos ligados à vegetação em sua plenitude.
Ao escolher o tema Fitogeografia do Sul da América, o Conselho Editorial de Ciência & Ambiente visava estimular a reflexão sobre a geografia das formações vegetais deste pedaço do planeta e igualmente preencher uma considerável lacuna bibliográfica sobre este assunto.
A participação de eminentes pesquisadores da Argentina, do Uruguai e dos três estados sul-brasileiros, bem como a diversidade de enfoques presentes nos artigos publicados, preenchem os objetivos perseguidos pelos editores. De todo modo, resta sempre a necessidade de um aval importante e intransferível: o dos leitores.

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