A presença de escravos em atividades muito diversificadas, e não só na produção “majoritária” voltada para o mercado externo. A paisagem agrária distanciada dos binômios tradicionais e exclusivos senhor-escravo, estancieiro-peão, trabalho familiar-trabalho escravo, indicando uma imagem nova e multifacetada das formas produtivas e de trabalho. A atenção a fatores complexos, que são informados pelas tradições culturais e práticas produtivas de distintos atores. A superação das dificuldades que as fontes apresentam com a produção de dados estatísticos mesclados pelas possibilidades de interpretação que outras tantas fontes oferecem. A variação interna entre os agrupamentos estudados, sem “unificar” a interpretação de grupos sociais até agora quase completamente ignorados pela história. A redefinição do papel dos estados coloniais, mostrando-os como administradores das relações de poder entre os distintos grupos. Eis algumas das abordagens sobre as relações entre o mundo agrário e o meio ambiente que ganham relevo na 33ª edição da revista Ciência & Ambiente.
A opção pelo tema História Agrária e Ambiental reflete a importância que tais dimensões históricas assumem nas pesquisas mais recentes realizadas no Brasil e em países vizinhos como Argentina e Uruguai. No caso, investigações destinadas a revelar as formas de apropriação e uso do solo, o estatuto jurídico e social dos trabalhadores rurais (produtores diretos) e o estudo dos sistemas agrários e de suas relações de produção, além da compreensão das diferentes formas de intervenções humanas sobre o mundo natural.
Os textos publicados primam pelo cuidado técnico e empírico e possuem a clareza indispensável à atividade do historiador, incluindo a preocupação com as fontes escolhidas. Com igual esmero, os autores explicitam o método de trabalho adotado, deixando claro ao leitor, mesmo o leigo, como os elementos estão sendo analisados, virtude pouco valorizada em certas áreas do conhecimento. Ainda mais, os trabalhos conferem visibilidade a novas fontes documentais ou à releitura de obras já utilizadas, porém agora com o olhar do pesquisador do ambiente e das relações agrárias.
Como resultado desse exercício, é possível perceber as múltiplas interdependências entre clima, condições de solos e formações florestais e a produção agrária, sem contar as alterações sentidas e provocadas na vida dos homens. Todas fundamentais para o conhecimento histórico e mesmo para a formação da cultura geral.
As diferenças de interpretação historiográfica suscitadas pelos ensaios aqui apresentados constituem pontos verdadeiramente instigantes quando se pensa em (re)abrir e ampliar esse campo de discussão. Aliás, aprofundar a compreensão sobre os diversos temas é também o espírito que norteia a revista Ciência & Ambiente desde a sua fundação.

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