Ao confrontar-se com o tema proposto, haverá o leitor de Ciência & Ambiente de quertionar-se sobre a ordem de relações existentes entre a ecologia e a forma com que se organiza a produção. Se não pairam dúvidas acerca das conexões entre ambas, sobram, todavia, interrogações a respeito da capacidade de equacionamento desta questão, por parte das alternativas construídas em nome de um ramo da ciência que representa também uma visão do mundo e um modo de vida.
A despeito de divergências analíticas perceptíveis entre as correntes de pensamento, é razoável imaginar que a teoria ecológica, com seus múltiplos desdobramentos, avança no sentido de contribuir para um cenário contemporâneo marcado por transformações no processo produtivo e pela superação de um sistema ecologista simplificador.
As demandas por mudanças no modelo de produção parecem ser rapidamente absorvidas pela dinâmica capitalista, de maneira tal que não se configurem em ameaças ao seu padrão de acumulação. É bom lembrar que, na atualidade, esta acumulação baseia-se fortemente na extração da mais-valia relativa oriunda do progresso tecnológico, contexto em que deve ser inserido, igualmente, o atual paradigma da biodiversidade.
De outra parte, é compreensível que certas premissas ecologistas não sejam de todo incompatíveis com as prerrogativas de expansão do capitalismo. Estas imbricações tornam-se conspícuas quando o movimento ecológico se insurge contra os efeitos da moderna tecnologia para o que se propõe um retorno ao passado, ou quando se atribui ao homem, ente abstrato, o triste papel de responsável pela ruptura dos equilíbrios naturais.
Contudo, há que se reconhecer as potencialidades liberadas a partir das notáveis contribuições da teoria ecossistêmica, em especial, no âmbito da produção agrícola. Aqui, descontados os limites da amplificação dos agroecossistemas e os elevados custos energéticos, uma criteriosa aplicação dos novos fatores de produção que compõem a tecnologia disponível ou a ser desenvolvida pode constituir a base de um novo equilíbrio entre sociedade e natureza. Equilíbrio, é óbvio, não significa o paraíso; por certo, emergirão outros problemas e com eles novas possibilidades de reestruturação.
Assim, em consonância com tais pressupostos, alguns conceitos como o de sustentabilidade na produção, ao menos entre os países em desenvolvimento, devem merecer uma leitura capaz de retratar um interesse rigorosamente interdependente: o de produtividade/estabilidade ecológica e o de eqüidade social.

Principal | A revista PORT/ESP | Autores | Catálogo | Próximas edições | Como comprar |
Como publicar PORT/ESP | Livro de visitas | Equipe | Contato | UFSM
© 2002-2020 Ciência&Ambiente — Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por Pierin.com