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Série Grandes Mestres
Agosto: Alexander Flemming
Outubro: Oswaldo Cruz

Série Grandes Mestres

Resgatar a história dos homens e mulheres que construiam a profissão farmacêutica e ciêntifica até os dias de hoje é o objetivo da Série "Grandes Mestres". Mensalmente, um grande cientista ou descobridor será homenageado ao ter sua biografia aqui publicada, para que relembremos as contribuições dos muitos que vieram antes de nós.

Neste mês: Niels Bohr

Niels Bohr foi um físico dinamarquês (nascido dia 7 de outubro de 1885) que contribuiu de todas as maneiras para o que hoje podemos chamar de uma “era nuclear”.
Passou sua infância numa monótona cidade, logo se transformou num jovem calado e muito pouco agressivo. Sua fala era pausada e em seus modos pouco havia que denunciassem cérebro de primeira categoria.
Na escola, sempre estava pronto quando se tratava de brigar e logo se tornou conhecido por sua força poderosa e passou a se destacar nos esportes, para grande orgulho de seu pai, foi selecionado para o time de futebol do colégio e, seguindo – lhe os passos (seu pai era fisiologista), viu – se tomado de profundo interesse pela ciência..

Era particularmente atraído pelo trabalho experimental em laboratório, onde conseguia combinar a excepcional capacidade e a natural inabilidade. Seu forte era quebrar tubos e frascos de vidro. Em determinada ocasião, quando uma série de explosões partiu dos laboratórios, ouviu – se seu sofrido professor exclamar: “Ah, deve ser o Bohr”.

Na introdução do livro “Bohr e a teoria quântica em 90 minutos” por Paul Strathern é colocado como segue:

“Segundo o  grande físico teórico alemão Werner Heisenberg, “ a influência de Bohr sobre a física e os físicos do nosso século foi mais forte que a de qualquer outra pessoa, inclusive Einstein”. E Heisenberg devia saber – ele passou boa parte de sua vida discutindo  (e argumentando ferozmente) com ambos.
A maior conquista de Bohr foi a solução do enigma da estrutura atômica mediante a aplicação da teoria quântica, o que resultou em grande progresso científico – e grande perplexidade científica. Como? Ninguém sabe ao certo até hoje o que é a teoria quântica.
O grande pianista Vladimir Horowitz observou certa vez a respeito de Mozart que ele era “fácil demais para principiantes, difícil demais para especialistas”. O mesmo se aplica à física quântica, segundo o colega e biógrafo de Bohr, Abraham Pais.
Simplificando (para aqueles de nós que acham até mesmo Mozart difícil), a teoria quântica afirma que partículas no nível subatômico não obedecem às leis da física clássica. Na verdade, entidades como os elétrons podem existir como duas coisas diferentes ao mesmo tempo  - matéria ou energia, dependendo de como são medidas.
O principal problema da teoria quântica é o fato de ser totalmente inverossímil, de não ter nada a ver com o senso comum. Mas a ciência do século XX é muito mais estimulante do que o senso comum (que Einstein simplesmente descartou chamando – o “a soma dos preconceitos adquiridos por volta dos 18 anos”).
Bohr tornou – se diretor do Instituto de Física Teórica de Copenhague, de onde dominou com maestria a época áurea da física quântica. Isso ocorreu na década de 1920, num processo que teve a participação de vários cientistas da geração pós – Einstein.
Os efeitos dessa era de descoberta demonstraram ser uma bênção paradoxal. Sabemos hoje como o mundo funciona – das mais ínfimas partículas subnucleares aos buracos negros. Sabemos também como destruí – lo por meio de um holocausto nuclear. Bohr viveu o suficiente para colaborar na confecção da primeira bomba atômica. Quando se deu conta do que fizera, passou o resto da vida fazendo campanha contra ela”.

Bohr, compreendendo a gravidade da situação e o perigo que essa bomba poderia representar para a humanidade, dirigiu-se a Churchill e Roosevelt, num apelo à sua responsabilidade de chefes de Estado, tentando evitar a construção da bomba atômica. Mas a tentativa de Bohr foi em vão. Em julho de 1945 a primeira bomba atômica experimental explodiu em Alamogordo. Em Agosto desse mesmo ano, uma bomba atômica destruiu a cidade de Hiroshima. Três dias depois, uma segunda bomba foi lançada em Nagasaqui. Em 1945, fim da a II Guerra Mundial, Bohr regressou à Dinamarca, onde foi eleito presidente da Academia de Ciências. Bohr continuou a apoiar as vantagens da colaboração científica entre as nações e para isso foi promotor de congressos científicos organizados periodicamente na Europa e nos Estados Unidos. Em 1950, Bohr escreveu a “Carta Aberta” às Nações Unidas em defesa da preservação da paz, por ele considerada como condição indispensável para a liberdade de pensamento e de pesquisa.

Sobre seus estudos:

Bohr passou a dedicar-se ao estudo da estrutura do átomo, baseando-se na descoberta do núcleo atômico, realizada por Rutherford.

No mesmo ano, Bohr casou com Margrethe Norlund, com quem viria a ter seis filhos. Quando regressou à Dinamarca em 1913, Bohr procurou estender ao modelo atômico proposto por Rutherford os conceitos quânticos de Planck. Bohr acreditava que, utilizando a teoria quântica de Planck, seria possível criar um novo modelo atômico, capaz de explicar a forma como os eletróns absorvem e emitem energia radiante. Esses fenômenos eram particularmente visíveis na análise dos espectros luminosos produzidos pelos diferentes elementos. Ao contrário do produzido pela luz solar, esses espectros apresentam linhas de luz com localizações específicas, separadas por áreas escuras. Nenhuma teoria conseguira até então explicar a causa dessa distribuição.
Em 1913, Bohr , estudando o átomo de hidrogênio, conseguiu formular um novo modelo atômico. Bohr concluiu que o eletrón do átomo não emitia radiações enquanto permanecesse na mesma órbita, emitindo-as apenas quando se desloca de um nível de maior energia (órbita mais distante do núcleo, onde a sua - do elétron - energia cinética tende a diminuir enquanto que sua energia potencial tende a aumentar; mas, sua energia total aumenta) para outro de menor energia (órbita menos distante, onde sua energia cinemática tende a aumentar e sua energia potencial tende a diminuir; mas, sua energia total diminui).
A teoria quântica permitiu-lhe formular essa concepção de modo mais preciso: as órbitas não se localizariam a quaisquer distâncias do núcleo, pelo contrário, apenas algumas órbitas seriam possíveis, cada uma delas correspondendo a um nível bem definido de energia do eletrón. A transição de uma órbita para a outra seria feita por saltos pois, ao absorver energia, o eletrón saltaria para uma órbita mais externa(conceito quantum) e, ao emiti-la, passaria para outra mais interna (conceito fóton). Cada uma dessas emissões aparece no espectro como uma linha luminosa bem localizada.
Bohr morreu a 18 de Novembro de 1962, vítima de uma trombose, aos 77 anos de idade.