Fundada em 1990, Ciência & Ambiente, por orientação dos seus editores e conselheiros, tem procurado sustentar uma linha editorial baseada na inovação e na antecipação de temas relevantes para a ciência e a sociedade. Em outras palavras, desde o princípio, persegue-se a idéia de vanguarda temática, sem que isso conote qualquer sinal de pretensão ou de arrogância intelectual.
Tal orientação aplica-se particularmente a certos assuntos ambientais que, apesar de decisivos ao futuro da humanidade, merecem pequena atenção ou são pouco desenvolvidos no meio acadêmico e nos demais setores da vida pública. Um caso exemplar, nesse sentido, é o dos resíduos urbanos, o “lixo”, tratado no 18º número da publicação e que ainda espera por reflexões e alternativas para o seu correto equacionamento de parte dos estudiosos de matizes diversos. Apesar da magnitude e implicações desse e de outros tantos desafios investigativos que invariavelmente teimam em bater nos nossos portais, a academia, por vezes e por razões distintas, opta por um “dar de ombros”.
Esse parece ser o caso do tema em foco na 37ª edição da revista – A Cultura do Automóvel. Sem desconsiderar as contribuições de urbanistas e pensadores importantes, a questão da mobilidade urbana e do tipo de veículo empregado para tal empreendimento ainda requer profundas discussões, além da geração de soluções políticas, urbanísticas, tecnológicas, energéticas, todas elas permeadas pelo controle público e pela ressonância social. Soluções que devem também agregar conhecimentos oriundos do mundo acadêmico.
Ao nos depararmos com imagens de gigantescos engarrafamentos que constrangem as nossas cidades em todos os quadrantes planetários, é impossível não concluirmos que o sonho de liberdade e o desejo de comodidade pessoal, propiciados pelos veículos automotivos na viagem destinada a driblar tempo e espaço, encontram-se sob intenso questionamento. Embora as aspirações individuais sejam legítimas, o primeiro passo concreto, real, para a superação da enorme encrenca em que estamos metidos, parece residir na (re)valorização dos interesses comuns e da solidariedade na construção dos espaços urbanos e de seus múltiplos equipamentos.
O primado das formas coletivas e integradas de transporte, sustentado pela inventividade humana e pelos cuidados crescentes com a estabilidade ecológica, pode indicar, em sentido literal, uma saída no fim do túnel. Mas não será fácil. Afinal, quem se habilita a deixar de lado seu reluzente, cômodo e tão sonhado automóvel?

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