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HISTÓRICO DE REALIZAÇÃO DO SENAFE - SEMINÁRIO NACIONAL DE FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: CONFLUÊNCIAS

O esforço interdisciplinar para tratar de problemas de fronteira entre as áreas do conhecimento da Filosofia e da Educação (vinculadas à grande área das Ciências Humanas) é uma característica que acompanha os cursos de graduação em Filosofia, Pedagogia e Educação Especial e o Programa de Pós-Graduação em Educação - Mestrado e Doutorado e o Curso de Graduação em Filosofia e o Programa de Pós-Graduação em Filosofia - Mestrado e Doutorado da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, situada no centro do estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Tal esforço ganha impulso com a criação recente dos cursos de Doutorado em ambos os Programas de Pós-Graduação. Tal intenção se manifesta com a criação de inúmeros convênios, com destaque, entre outros, para o Acordo de Cooperação Internacional entre a Universidade Federal de Santa Maria, por meio do Programa de Pós- Graduação em Educação, Brasil e a Universidade de Buenos Aires, por meio da Faculdade de Filosofia e Letras; o convênio entre a UFSM e a Universidade Carlos III, de Madri – Espanha, bem como a atuação dos grupos de pesquisa que dão suporte ao evento, com destaque ao Grupo de Pesquisa Racionalidade e Formação, envolvendo 6 instituições do estado do Rio Grande do Sul (PUCRS, UFRGS, UFSM, UNIJUÍ, UFPel, UPF). Destas ações resultaram muitos eventos e publicações que dão visibilidade aos trabalhos realizados, das quais, entre outras, destacam-se: Trevisan (2000; 2002; 2004; 2014); Tomazetti (2003); Trevisan & Rossatto (2002; 2005; 2013); Trevisan & Tomazetti (2006); Tomazetti & Gallina (2009); Trevisan & Tomazetti & Rossatto (2010).

O conjunto destas publicações torna evidente o eixo temático no qual se insere o diálogo entre Filosofia e Educação: a reflexão acerca de temas caros à relação entre Filosofia e Educação e sua atualidade no confronto teórico com problemas filosóficos e educacionais atuais. Isto é, no bojo destas publicações articula-se, entre outras, a questão geral de saber até que ponto os ideais clássicos de formação ainda são válidos para se pensar o leque de problemas que emergem dos contextos atuais complexos de interação pedagógica e, em que medida, tais ideais precisam ser reformulados.

De outra parte, com o avanço nas pesquisas, os problemas de fronteira entre Filosofia e Educação ganham uma notória ampliação, incorporando também em seu interior a reflexão acerca dos conceitos de racionalidade, linguagem e formação pedagógica. Desta ampliação e do intercâmbio frequente com pesquisadores de outras universidades, que se ocupam com o diálogo entre Filosofia e Pedagogia, surgiu o Grupo Interinstitucional de Pesquisa “Racionalidade e Formação” , o qual, além de realizar encontros periódicos de pesquisa, de intercambiar várias atividades de natureza acadêmica, como publicações, participação de seus membros em bancas de dissertação e tese, também motivou a organização de eventos acadêmicos e científicos. Fruto dessas iniciativas são os eventos de Filosofia e Educação realizados pelo Grupo de Pesquisa na Universidade de Passo Fundo - UPF, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS e na Universidade Federal de Santa Maria - UFSM.

O I Seminário Nacional de Filosofia e Educação Confluências - SENAFE surge, em 2004, justamente neste contexto. Concomitante a esta problemática teórica, este seminário procura assegurar um espaço de reflexão, especificamente, sobre problemas oriundos da práxis pedagógica do cotidiano escolar, em seu confronto com o aparato teórico filosófico. Deste modo, por meio dos debates originados pelas conferências, mesas redondas e comunicações, buscou refletir, à luz de conceitos centrais, a complexidade que envolve o ato de ensinar e de aprender e, simultaneamente, sobre a necessidade de se evitar a simplificação dicotômica e centralizadora da relação ensino e aprendizagem ao ato de alguém que somente ensina e alguém que somente aprende. Isto é, atento a frequente complexificação social e, simultaneamente, as profundas mudanças teórico-paradigmáticas contemporâneas, o evento buscou problematizar, por um lado, a reciprocidade embutida nos processos de ensino e aprendizagem e, por outro lado, assegurar, teoricamente, o alcance democrático contido na exigência pedagógica de que a formação incorporada nesse processo desmobiliza os pólos antagônicos, ao mostrar que o bom ensino advém antes de tudo da boa aprendizagem e de que, em certa medida, quem aprende também ensina. 

Sendo assim, o I SENAFE - Seminário Nacional de Filosofia e Educação: Confluências - realizado na Universidade Federal de Santa Maria, entre os dias 13 e 16 de abril de 2004, reuniu um expressivo número de participantes para debater as interfaces da relação entre Filosofia e Educação. Na ocasião, houve duas (02) conferências, sendo que a conferência de abertura contou com a presença do Prof. Dr. Floyd Merrel, da Universidade de Purdue/Indiana, dos Estados Unidos/EUA e dez (10) mesas plenárias, com três debatedores em cada mesa, além de uma diversificada programação cultural. O evento reuniu uma ampla gama de pesquisadores, sendo 30 palestrantes, 88 trabalhos apresentados e contou com 350 inscritos. O propósito do seminário foi discutir as relações entre Filosofia e Educação na perspectiva do debate crítico entre Filosofia Analítica e Filosofia Continental, do ponto de vista da Hermenêutica Filosófica e da Escola de Frankfurt. Em geral, os debates pretenderam elucidar alguns problemas comuns observados no processo de formação educativa e cultural, como a busca de alternativas para a crise dos fundamentos da educação, novos sentidos para a prática pedagógica e a superação dos obstáculos enfrentados pelo ensino de Filosofia nas escolas e universidades. Como resultado houve a produção de um CD-Rom contendo os textos completos das comunicações e de um livro com todas as palestras proferidas. O livro e o CD- Rom foram publicados pela editora FACOS/UFSM: TREVISAN, A. L. ; ROSSATTO, N. D. (Orgs.). Filosofia e educação: confluências. 1. ed. Santa Maria/RS: FACOS/UFSM, 2005. v. 1. 351p .

O II SENAFE - Seminário Nacional de Filosofia e Educação: Confluências - realizado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e no Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), entre os dias 27 e 29 de setembro de 2006, pretendeu dar continuidade ao debate estabelecido em sua primeira edição, introduzindo a temática Cultura e Alteridade. O evento também reuniu um grande número de participantes, tendo 27 congressistas, 181 trabalhos apresentados por alunos e professores de graduação e pós- graduação de todo o Brasil e em torno de 370 inscritos. Ao se voltar para algumas discussões atuais do contexto filosófico ocidental, os grupos de pesquisa participantes pretenderam, através do evento, proporcionar a reflexão sobre propostas emergentes dos grandes aportes teóricos do pensamento contemporâneo. Além disso, buscaram atualizar e ressignificar as linguagens utilizadas no campo da Educação e da Filosofia, de acordo com o desenvolvimento das novas formas de pensar o conhecimento numa época marcada pelo pluralismo de linguagens, tais como imagens, signos, símbolos e ícones da cultura do espetáculo. O Seminário visou ainda incentivar o entendimento crítico do impacto da nova condição da cultura sobre o pensamento filosófico e as contribuições recentes deste para pensar a pluralidade cultural. O debate girou em torno de reflexões que colaboram para a formação da sensibilidade e dos valores da tolerância, solidariedade, respeito pelo outro, assim como de atitudes científicas e criativas que possam modificar a prática educativa, de modo a responder criticamente às exigências do mundo atual. Como resultado desta edição do Seminário, foi organizado um CD-Rom com os textos completos das comunicações inscritas e publicado um livro, com os textos de todas as palestras proferidas: TREVISAN, A. L.; TOMAZETTI, E. M. (Orgs.) . Cultura e Alteridade: Confluências. 1. ed. Ijuí - RS: Editora da UNIJUÍ, 2006. v. 500. 444p.

O III SENAFE - Seminário Nacional de Filosofia e Educação: Confluências foi realizado na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, entre os dias 18 e 20 de novembro de 2009, focalizando o debate em torno da temática Vida, Cultura e Diferença. O objetivo maior do encontro foi empreender uma interpretação hermenêutica e crítica sobre aquilo que nos aproxima e também nos diferencia na condição atual de vida. A proposta visou dar continuidade às discussões dos eventos anteriores, tendo como pano de fundo o diagnóstico da ausência de um vetor que nos une, como era vivenciado no mundo metafísico. Desta forma, a constatação geral, no contexto da mercantilização globalizada, é de que estamos perdendo a sensibilidade e a tolerância para o outro e às diferenças, e que isso impõe uma reflexão sobre as bases estruturantes da cultura, uma vez que não abrimos mão da conservação da alteridade do outro no processo de produção da vida. Assim, o evento problematizou o deslocamento do uno ao múltiplo, que põe em dúvida a existência de qualquer elo comum entre as diferentes culturas, tentando, com isso, delinear a discussão sobre quais dispositivos teóricos seriam capazes de nortear a compreensão do outro sem submetê-lo a qualquer lógica homogênea, hierárquica ou elitista. A possibilidade de resguardar a discussão da razão, enquanto fala ou linguagem, ainda que na pluralidade de suas manifestações, esboçou-se como a perspectiva basilar desse Seminário, trazendo ao diálogo categorias importantes para a produção do conhecimento, como vida, cultura e diferença, bem como suas interfaces linguagem, tradição e reconhecimento.

Nesta perspectiva, assim como ocorreu nas edições anteriores do evento, o III SENAFE reafirmou uma de suas características mais importantes, que foi a de reunir uma vasta gama de pesquisadores (34 palestrantes, 147 trabalhos apresentados, e 380 inscritos) para debaterem questões complexas da história do pensamento humano em clima democrático e pluralista. Este êxito se deve não apenas ao grande interesse e aceitação dos pesquisadores do campo da Filosofia e Educação, como também ao apoio das agências de financiamento FAPERGS e CAPES, bem como da UFSM. Os resultados do evento foram publicados em forma de CD-Rom e o livro: TREVISAN, A. L.; TOMAZETTI, E. M.; ROSSATTO, N. D. (Orgs.). Diferença, Cultura e Educação. 1. ed. Porto Alegre: RS: Editora Sulina, 2010. v. 1. 423p .

O IV SENAFE - Seminário Nacional de Filosofia e Educação: Confluências ocorreu entre os dias 21 a 23/05/2012, na Universidade Federal de Santa Maria-UFSM, tendo como tema Interatividade, Singularidade e Mundo Comum, pretendendo problematizar prioritariamente o impacto do conceito de interatividade nas noções de identidade/singularidade e mundo comum. O conceito de interatividade vai além do conceito de interação, pois neste não há uma separação em pólo emissor e pólo receptor.  Os fundamentos da interatividade permitem a articulação de diversas redes, diversas conexões, possibilitando uma navegação livre, autônoma, sem direção pré-definida. Transposto para a docência, se traduz pela construção de uma obra coletiva, não mais centrada na figura do professor/emissor ou centrada no aluno/receptor. A docência nessa perspectiva representa um rompimento com a concepção linear de aprendizagem, situando-se de forma colaborativa, atualizada numa prática de construção de um percurso hipertextual. 

Neste sentido, o objetivo foi construir, em largos traços, por meio de conferências, mesas redondas e comunicações, a possibilidade de reconhecimento de um elo comum na diversidade, sem suplantar as singularidades, confrontando-se com problemas pedagógicos e educacionais atuais, oriundos de uma crescente interatividade social possibilitada pelas novas tecnologias da informação e comunicação (TICs). Nessa linha, o evento se consolidou com a participação de 350 inscritos e com a publicação de 143 trabalhos completos nos anais. Já a estruturação das mesas e conferências foi composta por 21 palestrantes de universidades nacionais e internacionais, resultando na publicação de um CD-Rom e o livro: TREVISAN, A. L.; ROSSATTO, N. D. (Orgs.). Filosofia e Educação: Interatividade, Singularidade e Mundo Comum. 1. ed. Campinas - SP: Mercado de Letras, 2013. v. 1000. 308p.

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